Harry Potter e a Ordem da Fénix
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Em Harry Potter e a Ordem de Fénix , está prestes a começar o quinto ano na Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts. Harry Potter, de quinze anos, está no auge da sua adolescência, com as consequentes...
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Classificação:
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Descrição completa
Em Harry Potter e a Ordem de Fénix , está prestes a começar o quinto ano na Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts. Harry Potter, de quinze anos, está no auge da sua adolescência, com as consequentes explosões de raiva, uma paixão quase debilitante e o desabrochar de um poderoso sentido de rebelião. Depois de um Verão irritante e aborrecido com os desprezíveis Dursleys, desta vez com o mínimo contacto com os amigos não-Muggles da escola, Harry sente-se particularmente tenso devido à falta de notícias do mundo mágico e questiona-se sobre quando irá atacar o recentemente renascido vilão Lorde Voldemort. Regressar a Hogwarts vai ser um alívio... ou será que não?
(... )
Primeiro Capítulo
I
DUDLEY E O DEMENTOR
O dia mais quente do Verão arrastava-se num silêncio longo e sonolento sobre as grandes casas geométricas de Privet Drive. Os carros, que habitualmente brilhavam, reluzentes, achavam-se agora estacionados, cobertos de pó, e os relvados, outrora verde-esmeralda, apresentavam-se amarelados e ressequidos, pois o uso das mangueiras fora proibido, devido à falta de água.
Os habitantes de Privet Drive, impedidos de recorrer às suas rotinas habituais de lavar os carros e tratar da relva, haviam-se retirado para a frescura das suas casas, as janelas totalmente abertas, num convite à brisa inexistente. A única pessoa que ficara cá fora era um adolescente que se encontrava deitado de costas num canteiro de flores, no jardim do número quatro.
Era um rapazinho magro e moreno, de óculos, com o ar aflito e levemente adoentado de alguém que crescera muito num curto espaço de tempo. Tinha os jeans sujos e rasgados, a T-shirt larga e desbotada e as solas dos ténis rotas. O aspecto de Harry Potter não agradava nada aos vizinhos, que eram o tipo de pessoas para quem vestir-se mal deveria ser punido por lei, todavia, como nessa tarde ele se escondera atrás de uma grande hidrângea, estava praticamente invisível para quem passava na rua. De facto, só o tio Vernon ou a tia Petúnia poderiam vê-lo, se pusessem a cabeça fora da janela da sala e olhassem para o canteiro, que ficava mesmo por baixo.
Pensando bem, tinha sido uma excelente ideia esconder-se ali. Não estaria propriamente confortável, deitado na terra dura e quente, mas assim ninguém ficava a olhar para ele com um ar irritado, a ranger os dentes tão alto que nem se conseguia ouvir as notícias, ou a fazer-lhe perguntas maldosas, como sucedera de todas as vezes em que tentara sentar-se na sala com os tios, a ver televisão.
De súbito, como se o seu pensamento tivesse voado para dentro de casa, Vernon Dursley, o tio de Harry, falou.
— Ainda bem que o rapaz nos deixou em paz. Por onde andará ele, afinal?
— Não sei — respondeu a tia Petúnia, sem se preocupar. — Em casa, não está.
— A ver as notícias... — O tio Vernon resmungou sarcasticamente. — Gostava de saber o que ele anda a tramar. Como se um rapaz normal se preocupasse com as notícias… O Dudley não faz a menor ideia do que se passa à sua volta. Duvido de que saiba, sequer, quem é o Primeiro-Ministro.
De qualquer modo, ninguém vai falar da gente dele no noticiário.
— Vernon, shiu! — admoestou-o a tia Petúnia. — A janela está aberta.
— Ah, sim, desculpa, querida.
Os Dursleys calaram-se. Harry ouviu a música de um anúncio de cereais para o pequeno-almoço, enquanto observava Mrs. Figg, uma velhinha um pouco tonta e que adorava gatos. Seguia para sua casa em Wisteria Walk, num passo tranquilo e vagaroso. Tinha a testa franzida e falava sozinha. Harry ficou contente por se ter escondido atrás do arbusto, pois ultimamente a velhota costumava convidá-lo para tomar chá sempre que o via na rua. Tinha acabado de desaparecer ao virar da esquina, quando a voz do tio Vernon se ouviu de novo através da janela aberta.
— O Dudders foi jantar fora?
— Sim, com os Polkises — explicou a tia Petúnia com grande ingenuidade. — Tem tantos amiguinhos, é tão popular...
Harry conteve o riso com dificuldade. Os Dursleys eram incrivelmente estúpidos quando se tratava do filho, Dudley. Tinham engolido todas as suas mentiras idiotas sobre ir jantar todas as noites com um membro diferente do seu bando, durante as férias de Verão. Harry sabia perfeitamente que ele não tinha ido jantar com ninguém. Dudley e os amigos passavam as noites a vandalizar o parque infantil, a fumar pelas esquinas e a atirar pedras aos carros e às crianças que passavam. Tivera oportunidade de os ver em acção durante os seus passeios nocturnos por Little Whinging, já que passara a maior parte das férias a deambular pelas ruas e a procurar jornais nos caixotes do lixo.
As primeiras notas musicais que anunciavam o telejornal das sete chegaram aos ouvidos de Harry e o seu estômago revolveu-se. Talvez fosse hoje, após um mês inteiro de espera, talvez fosse esta noite.
— Um número recorde de turistas em apuros enche os aeroportos espanhóis, enquanto a greve dos controladores de bagagem entra na sua segunda semana…
— Dêem-lhes uma siesta definitiva. Era o que eu faria — resmungou o tio Vernon, cortando o fim da frase do jornalista. Lá fora, no canteiro das flores, o estômago de Harry pareceu descontrair-se. Se alguma coisa tivesse acontecido, teria certamente sido revelada no início do noticiário. A morte e a destruição eram mais importantes que turistas em apuros.
Soltou um profundo suspiro e olhou para o céu azul e brilhante. Fora um Verão cheio de nervosismo e expectativa, com alguns breves momentos de alívio, seguidos de nova tensão, que se tornava mais insistente sempre que perguntava a si próprio por que motivo ainda nada acontecera.
Continuou atento, não fosse surgir alguma pequena pista que os Muggles não reconhecessem como tal — um desaparecimento inexplicável, talvez, ou um acidente estranho... contudo, a seguir à greve dos controladores de bagagem vieram as notícias sobre a seca no sudeste de Inglaterra (Espero que o vizinho aqui do lado esteja a ouvir, gritara o tio Vernon. Sempre a ligar o dispositivo de rega às três da manhã), seguidas da informação de que um helicóptero quase se despenhara num campo do Surrey e das últimas sobre o divórcio de uma famosa actriz e do seu famoso marido. (Como se os seus assuntos sórdidos nos interessassem para alguma coisa, fungou a tia Petúnia, que seguira obsessivamente a história em todas as revistas a que conseguira deitar as suas mãos ossudas. )
Harry fechou os olhos devido ao brilho flamejante do céu no final da tarde, enquanto o jornalista dizia: …e, por fim, o periquito Bungy descobriu uma nova maneira de se refrescar este Verão.
Bungy, que vive nas Cinco Penas em Barnsley, aprendeu a fazer esqui aquático. A jornalista Mary Dorkins foi saber mais sobre o assunto.
Harry abriu os olhos. Se já tinham chegado ao esqui dos periquitos não havia, certamente, mais nenhuma notícia importante. Virou-se cautelosamente de bruços e começou a erguer-se, apoiado nos joelhos e nos cotovelos, preparando-se para se afastar da janela. Foi então que várias coisas aconteceram em rápida sucessão.
Um estampido agudo como um tiro ecoou, quebrando o silêncio; um gato saiu a correr de debaixo de um carro estacionado ali perto, desaparecendo de vista; e da sala dos Dursleys chegou-lhe um guincho, seguido de uma praga e do ruído de loiça a partir-se. Como se fosse aquele o sinal por que esperava, Harry pôs-se de pé num pulo, tirando ao mesmo tempo a varinha do cinto dos jeans, qual espada desembainhada. Contudo, antes de ter conseguido levantar-se completamente, bateu com a cabeça na janela aberta, provocando um estrondo que fez a tia Petúnia gritar ainda mais alto.
Pareceu-lhe que a cabeça se tinha rachado ao meio. De olhos lacrimejantes, cambaleou, tentando concentrar-se na rua e perceber o que provocara o estampido, mas, nesse momento, duas grandes mãos arroxeadas saíram da janela e rodearam-lhe a garganta.
— Guarda já isso! — vociferou o tio Vernon ao ouvido de Harry. — Imediatamente! Antes que alguém a veja!
— Largue-me! — arfou Harry. Debateram-se durante alguns segundos, Harry puxando com a mão esquerda os dedos papudos do tio Vernon, enquanto segurava com a direita a varinha erguida. Por fim, quando a dor no alto da cabeça se tornava insuportável, o tio Vernon soltou um uivo, largando-o como se tivesse apanhado um choque eléctrico. Parecia que uma força invisível se espalhara pelo corpo do sobrinho, obrigando-o a largá-lo.
Quase sem fôlego, Harry caiu para trás, por cima da hidrângea, levantou-se e olhou em volta.
Não havia sinal do que provocara o estampido, mas vários rostos espreitavam das janelas dos vizinhos. Harry guardou rapidamente a varinha nos jeans e tentou compor um ar inocente.
— Que bela noite! — gritou o tio Vernon, cumprimentando com um aceno a senhora do número sete que, furiosa, espreitava por trás das cortinas de filó. — Ouviu o estouro do carro que passou agora mesmo? Eu e a Petúnia apanhámos um susto dos diabos!
Continuou a sorrir como um maníaco até todos os vizinhos terem desaparecido das janelas, altura em que o sorriso se transformou num esgar de raiva, ao mesmo tempo que fazia sinal a Harry para se aproximar.
(... )

